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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

MUDAR OU CONSERVAR; MUDAR E CONSERVAR

“Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar; tal é a lei”
Allan Kardec

O que sobrevive a despeito da ação corrosiva do tempo? Tudo sobrevive? A maioria das coisas permanece? Neste caso, como posso evoluir se nada muda, se nada é destruído, se nada morre? Nada sobrevive? Muito pouco permanece? Neste caso, como posso me reconhecer então, se nada fica e se há somente destruição e morte? O que há em mim que pode ser reconhecido como um “eu”? Enfim, o que passa e o que fica? O filósofo grego nos intriga quando diz que “um homem não pode cruzar o mesmo rio por duas vezes”. Na segunda vez, nem ele, nem o rio serão os mesmos... Há uma Lei somente: “Tudo muda, e nada permanece”. O Ser das coisas é um eterno “vir-a-ser” contínuo. 

Somos este composto de poeira e luz de estrelas? Somos este conjunto de idéias e sentimentos que habitam um corpo que se eriça, se cansa, se alegra, que nasce, que morre, que renasce e não cessa de se decompor? Sim, somos tudo isso!

Mas, somos também testemunhas oniscientes deste ciclo eterno e infinito de nascimento e morte, de criação e destruição! Há esta qualidade em nós, esta qualidade de eternidade, este sabor do sopro divino que nos anima. Este olhar de eternidade que herdamos com nosso nascimento, com a nossa filiação.

Então, porque freqüentemente nos esquecemos de olhar para nossos umbigos divinos?

Talvez seja porque quando fazemos isso dissolvemos definitivamente nosso “pequeno eu”, aquele que existe quando digo “Eu” e “Meu” e vem acoplado com todas aquelas coisas que gostamos de acumular: meu carro, minha casa, meu trabalho, minhas idéias, meus sentimentos, meus sonhos, minhas aspirações...
O nascimento do “grande Eu” é a entrega e rendição suprema a este Nada e a este Silêncio que sustenta tudo que vive e respira. É a entrega e rendição suprema a Deus. Deus é o Nada porque não existe; Ele não é isso ou aquilo circunscrito no tempo e no espaço; ele não é uma Coisa! Ele é tudo, e Nada mais!

Estamos sempre à espreita deste Abismo que é o Nada. Se tivermos a coragem de saltar vamos descobrir que este Abismo não tem fundo e que nossa queda no fim das contas é um belo, pleno e derradeiro vôo!
Esta glorificação é somente para aqueles exaltados por Jesus no monte: os pobres de espírito. Aqueles que tiveram a coragem de não acumular demasiadas coisas, nomeando-as de “espírito”, e saltaram por Amor incondicional a Deus e escolheram perder a si próprios!

Bem-aventurados aqueles que saltam, porque deles é o Reino dos Céus...

Daniel Martins

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Humildade celeste

Ninguém mais humilde que Ele, o Divino Governador da Terra.
Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem mágoa a manjedoura simples.

Podia reclamar os princípios da cultura para o seu ministério de paz e redenção; contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu verbo de luz.

Podia articular defesa irresistível a fim de dominar a governança política; no entanto, preferiu render-se à autoridade, presente em sua época, ensinando que o homem deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence, e a Deus o que é de Deus.

Podia banir de pronto do colégio apostólico o amigo invigilante, mas preferiu que Judas conseguisse os seus fins, lamentáveis e escusos, descerrando-lhe aos pés o caminho melhor.

Podia erguer-se ao Sol da plena vida eterna, sem voltar-se jamais ao convívio humilhante daqueles que o feriram nos tormentos da cruz; no entanto, preferiu regressar para o mundo, estendendo de novo as mãos alvas e puras aos ingratos da véspera.

Podia constranger o espírito de Saulo a receber-lhe as ordens, mas preferiu surgir-lhe qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar, meditar e servir, em favor de si mesmo.

Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste, pela qual aprendemos que, quanto mais poder, mais amplo o trilho augusto aberto às nossas almas para que nos façamos, não apenas humildes pelos padrões da Terra, mas humildes enfim pelos padrões de Deus.

Emmanuel
Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Do livro Antologia Mediúnica do Natal