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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Malu é entrevistada pela Abrarte

‘A arte espírita deve fazer brotar nos corações a vontade de ser um ser humano melhor a cada dia’

Mara Lucia Ramos Portella é natural de Tremembé (SP), mas reside em Taubaté (SP) desde o primeiro ano de idade. Formada em Pedagogia e Letras, é professora de inglês. Já atuou na área de evangelização infanto-juvenil, e atualmente desenvolve trabalhos com música, em oficinas para a infância e a juventude. É integrante do grupo Änïmä, de Taubaté. É associada da Abrarte desde novembro de 2011.


1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?
Ingressei no Espiritismo aos 13 anos, e logo já fazia parte da mocidade. Desde o início me envolvi profundamente, gostei demais da ideia de passar minhas tardes de sábado aprendendo e conhecendo pessoas. A alegria presente naquele ambiente me encantava e eu queria mais, participava de tudo o que era proposto. Logo eu estava ajudando na evangelização e fazia parte do grupo de teatro. Anos mais tarde conheci o Helton, músico e compositor no Änïmä. Ele tinha um trabalho muito bacana com oficinas de música na mocidade, além de tocar na mocidade e nos eventos onde íamos. Começamos a namorar e eu o acompanhava. Assim, foi surgindo algo novo para mim, que era trabalhar com a música, e eu me envolvi totalmente. Então veio o Änïmä e nós sentimos a necessidade de estudar. Ele é músico, eu sempre gostei de música e há uma longa distância entre ambos. Eu comecei a estudar música e continuo até hoje.

2. Como você define a arte espírita?
Cada pessoa recebe a arte de uma maneira muito particular, de acordo com o que carrega dentro de si. Ela é um instrumento de transmissão de mensagens, sejam elas boas ou ruins. Ela fala de muitas maneiras e nós podemos encontrar o belo em tudo o que se intitula arte, se pudermos sentir, se ela nos causa um sentimento, qualquer que ele seja. Fazer arte é uma responsabilidade enorme, causar um sentimento em outro ser humano é algo extremamente poderoso, e tudo o que traz algum tipo de poder é muito perigoso, pois nós não sabemos em que pode resultar. A Arte no Espiritismo, ao meu entender, é um causar sentimentos bons e fazer brotar nos corações de quem a recebe a vontade de ser um ser humano melhor a cada dia, a cada passo, em cada olhar. Mas, mesmo com esse teor de levar boas mensagens, jamais podemos banalizá-la com o velho discurso de "vale a boa-vontade" ou "o que vale é a intenção". É fundamental que as pessoas que se propõem a um trabalho artístico no movimento espírita tenham a consciência de que devem estudar, se profissionalizar – e aqui vale um lembrete: profissional não é apenas o que ganha dinheiro pelo seu trabalho, mas aquele que desenvolve seu trabalho com excelência. Não devemos nos acomodar em nossa "boa-vontade" somente porque estamos realizando um trabalho religioso. É para Jesus, e ele, assim como as pessoas que se abrem para receber o nosso trabalho, merecem o melhor.

3. Você está no Änïmä desde o começo. Poderia falar um pouco sobre o grupo?
Veio de um trabalho de música das COMEVALPs [Confraternização das Mocidades Espíritas do Vale do Paraíba]. Éramos uma equipe grande e muito animada, com integrantes de várias cidades daqui do Vale do Paraíba, responsável pela parte musical dos encontros. Começamos a tocar fora da COMEVALP, em eventos de nossas cidades, e com o tempo percebemos que seria interessante se separássemos os trabalhos. Assim, o Änïmä foi tomando forma, mas demorou um bom tempo e uma grande troca de emails para receber este nome. Conforme o tempo foi passando, pessoas foram saindo – como eu disse, éramos um grupo grande – outras foram se juntando a nós, o trabalho foi sendo lapidado, melhorado e hoje estamos nesta formação que vocês conhecem.

4. Há novos projetos para o grupo?
Sim, um terceiro CD para 2014, se tudo der certo! Um DVD com vídeos de nossas músicas. Também estamos desenvolvendo um livro de planejamento de aulas para evangelização e mocidade, com as nossas músicas. E shows. Ainda estamos com a agenda bem folgada para o ano que vem, aguardando convites!

5. Você já trabalhou com música e teatro na evangelização. Poderia falar um pouco dessa experiência?
O teatro foi meu primeiro contato com arte no Espiritismo, era uma atividade muito gostosa! Tínhamos as peças que apresentávamos dentro de nosso centro, para as crianças e famílias. Era mais boa vontade de todos mesmo, não tínhamos envolvimento com técnicas, acho que naquela época nem se falava disso. Para mim foi uma excelente experiência que me permitiu conhecer mais sobre o Espiritismo e a importância de levar boas mensagens e fazer amigos.

6. Atualmente, você continua desenvolvendo oficinas de arte na evangelização. Na sua opinião, qual a importância da arte na evangelização?
Enorme! A arte, em minha opinião, é a melhor maneira que temos de nos sentirmos bem, de nos abrirmos para novas experiências, para o novo. Trabalhar com arte é um ótimo caminho para se chegar onde se deseja. Quando o evangelizador prepara uma aula e utiliza de recursos artísticos, seja uma argila, uma colagem, uma música, ele cria oportunidades para que seus alunos recebam as informações e as compreendam de uma maneira muito tranquila e fácil. Qualquer arte é bem-vinda, e os recursos devem ser variados, para que as aulas jamais fiquem monótonas e chatas. Atualmente, devido aos rumos da vida, Helton e eu não estamos mais envolvidos diretamente com trabalhos contínuos de evangelização e mocidade, mas o Änïmä trabalha com as oficinas musicais, que consistem em um único dia, no qual vamos até a evangelização ou mocidade e desenvolvemos atividades diversas com a música. Temos um trabalho pronto, mas tudo depende do que a coordenação nos solicita. Ensinamos algumas músicas, cantamos, brincamos, jogamos e temos um momento de debate, no qual relacionamos uma das músicas trabalhadas com um tema da codificação. Às vezes a própria coordenação nos pede um tema específico, se não, nós escolhemos. É um trabalho muito divertido.

Fonte: Abrarte

Um comentário:

  1. Parabéns, Lulú! Pela clareza e exposição de suas ideias! Beijão! Dani

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