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terça-feira, 7 de maio de 2013

Poder e ação das vibrações sonoras

Vê-se, pelos fatos acabados de narrar e pelo que as lições de o Esteta afirmam, que o poder das vibrações sonoras se revela sob mil formas. À medida que o homem penetra mais no conhecimento do Universo e da sua estrutura íntima, a lei que o rege, que é da harmonia musical, aparece-lhe em seu princípio, assim como em seus maravilhosos efeitos. 

Änïmä: notas musicais e vibrações sonoras em pensamentos de luz.
É por ela que se edificam e se perpetuam toda a arquitetura dos mundos, todas as formas da vida universal. Pode-se perceber isso por uma simples experiência. Não é curioso, por exemplo, seguir sobre a placa de vidro ou de metal salpicada de areia e posta em contato com um instrumento de cordas, as formas geométricas, os desenhos delicados e complicados que resultam de cada nota e de cada acorde?

No estudo da arte, não é preciso deixar-se desgostar por uma aridez aparente e superficial. O exame atento, a análise constante de todo tema estético, revela-nos atrativos insuspeitáveis e contribui para nos iniciar na lei geral do belo. Pode-se comparar esse exercício mental à subida de uma montanha de aspecto áspero e escarpado, mas da qual cada depressão do terreno contém maravilhas ocultas e que, do seu cume altivo, nos faz descobrir o conjunto harmônico das coisas que se desenvolvem sob os nossos olhares.

Todos os homens podem e devem se interessar por essa questão, porque ela lhes reserva alegrias intelectuais bem superiores a tudo o que os prazeres mentirosos proporcionam.
O mais humilde operário tem em seu pensamento uma saída possível em direção à compreensão do Belo, e aí ele sempre encontrará novos recursos para aperfeiçoar sua própria obra. A arte dentro da profissão é um encaminhamento à arte superior. Cada um trabalha com um gênero particular de beleza mas, na sua finalidade ascensional, todas as almas se expandem numa concepção radiosa da universal e eterna beleza.

A dissociação da matéria e a ação das forças intra-atômicas dão nascimento a uma nova ciência que, ao se desenvolver, abre, ao espírito humano, perspectivas mais amplas sobre a obra do Cosmos.

Em breve se reconhecerá o misterioso laço que une o pensamento, a vontade, à vibração, e que faz da vibração o agente do pensamento e da vontade, a fim de se construírem as inumeráveis formas que povoam a imensidão.

Em resumo, o som, o ritmo, a harmonia, são forças criadoras. Se nós pudéssemos calcular o poder das vibrações sonoras, avaliar sua ação sobre a matéria fluídica, sua forma de agrupar os turbilhões de átomos, chegaríamos a um dos segredos da energia espiritual.

No entanto, é suficiente observar, na experiência que acabamos de citar, as figuras geométricas traçadas pela voz humana ou pelo arco de um violino sobre a placa de vidro recoberta de areia fina, para compreender, por comparação, como o pensamento divino, que é a vibração mestra e a suprema harmonia, pode agir sobre todos os planos da substância e construir as formas colossais das nebulosas, dos sóis, das esferas, e fixar sua trajetória através dos espaços.

O espetáculo da vida universal nos mostra, por toda parte, o esforço da inteligência para conquistar e realizar o belo. Do fundo do abismo da vida, o ser aspira e sobe em direção ao infinito das concepções estéticas, à ciência divina, aos cumes eternos onde reina a beleza perfeita. O esplendor do Universo revela a inteligência divina, assim como a beleza das obras de arte terrestres revela a inteligência humana.

Léon Denis,
em O Espiritismo na Arte.

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