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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Limpar a Mente

Os bons costumes tornam a mente límpida e clareiam o verbo, enriquecendo-o, para que os ouvintes sejam estimulados ao exercício do bem eterno. A poluição mental turva a consciência e conturba o raciocínio, deixando a alma trôpega no vaso da carne. O homem civilizado não tem o costume diário de higienizar o corpo? Pois a mente, na verdade, tem grande necessidade de limpeza, tanto quanto o corpo, por ser o centro da vida que comanda todo a massa somática.

E esse trabalho começa como a chuva: divide-se em bilhões de gotículas, mas farta a humanidade e a natureza, limpa a atmosfera e destampa as minúsculas aberturas das árvores, de onde promana o oxigênio puro, no vigor da própria existência. Assim, a chuva, para a mente, há de surgir nessas mesmas proporções: bilhões ou trilhões de pequenos esforços, somando uma torrente de energias vivas, conduzindo todo o entulho da consciência por canais apropriados. E a pureza do raciocínio faz nascer um clima enriquecido para as belezas imortais do amor, da alegria e da fraternidade. Sugestiona o ser à procura de Deus e a obedecer às leis.

A castidade mental é obra de grande importância para a nossa supremacia espiritual, sem as sutilezas da arrogância e as manobras do orgulho. Devemos nos esforçar todos os dias, a partir do momento em que nos alistamos no exército do Cristo. Como espíritos, mesmo no mundo, mas à procura da luz, compreendamos, na urgência das nossas necessidades, que renovação é tema central da alma - ovelha que reconhece o pastor, atendendo os seus magnânimos convites, pela inteligência e pelo coração.

A elegância dos pensamentos ajusta o meio ambiente em que viveis, para chamados fraternos e para uma conversação sadia, desamarrando do núcleo da vida, a expressão do amor, de modo a participar, na mesma freqüência, a razão. Para que tudo isso se faça, o esforço próprio é imprescindível, dia a dia. A auto-educação haverá de se processar passo a passo, e a vigilância deve arregimentar todas as forças possíveis nessa imensurável batalha que somente termina na pureza espiritual, para começar outros labores, em escalas que escapam ao raciocínio humano.

A vida é um turbilhão de vidas sucessivas, que se associam por lei de esforços e de obediências correlatas. No homem, o começo do sofrimento é princípio de maturidade. É, pois, a força do progresso atingindo a sua farda física, para que o corpo espiritual se atualize nas necessidades maiores. Os grandes golpes na alma clareiam seu caminho para certas mudanças na arte de viver melhor.

Escrevemos para todos, é certo. No entanto, endereçamos nossas mensagens, com mais intimidade, aos despertos, aos companheiros conscientes dos seus deveres ante a escalada do Mestre. Se começais hoje a vos renovar na vida que levais, amanhã sereis torturados impiedosamente pelas forças contrárias, donde resulta a desistência de muitos estudantes da verdade, por ignorarem que o ataque, a maledicência, a injúria, o desprezo são outras tantas forças do bem, revestidas aparentemente de inimigos. Todavia, o que Jesus disse nos conforta sobre maneira: “Aquele que perseverar até o fim, será salvo”.

Associemos nossos esforços aos regimes das leis de Deus, respeitando-as em todas as suas nuances. Se algo faltar de nossa parte, nunca haverá de ser a persistência, como onda de luz a transformar as nossa boas intenções em realidades.

Higienizemos a nossa mente, sem afrontá-la agressivamente. A experiência nos aconselha que o trabalho paciente e constante vencerá obstáculos que se nos afiguram em posição irremovível. Na verdade, a mente plasma o que os olhos vêem, como máquina fotográfica pronta para disparar tendo em mira o objetivo visado. Não obstante, poderemos fechar o diafragma. Assim sucede com os ouvidos, assim se processa na formação das idéias. Orar e vigiar é atitude certa para que a mente não se suje mais. E o trabalho de limpeza deve ser eficiente, diminuindo a carga corrosiva acumulada em muitos séculos. Um pouco de boa vontade vos colocará, com habilidade, nesse saneamento, e o conceitos que propomos nesse livro são, um tanto um quanto, companheiros da limpeza espiritual, convidando a todos para a libertação.


Miramez,

médium João Nunes Maia
do livro Horizontes da Mente

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Arte de Doar

Quando ofertarmos, possuímos.
Quando recebemos, tornamo-nos devedores.

A felicidade em poder repartir é sempre maior do que aquela que convida a acumular quando o próximo tem carência.

A semente que se nega a sucumbir na terra, para desdobrar-se na vida, morre na inutilidade.
Todavia, a que perece, esmagada no solo, revive com exuberância.

Toda doação é uma sementeira para o futuro, que a vida se encarrega de multiplicar.

Há moedas esquecidas que se podem tornar dádivas de importância, tais como a hospitalidade fraternal, a expressão de cortesia, o gesto de amizade, a participação no sofrimento alheio, o sorriso gentil, que não custam dinheiro e, em certos momentos, são mais valiosos do que ele.

A caridade que se converte em triunfo pessoal naquele que a recebe, é sempre luz inapagável na vida de quem a pratica.

Vive com otimismo na confiança integral em Deus e distribui alegria por onde passes.

Não deixes ninguém afastar-se de ti, sem que leve um traço de bondade ou um sinal de paz da tua vida.

Quem se aproximou de Jesus, nunca mais foi o mesmo, jamais O esqueceu.


Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco

terça-feira, 28 de maio de 2013

Benefícios Imediatos

Entre o Aprendiz e o Orientador se estabeleceu o precioso diálogo:

-Instrutor, qual é a força que domina a vida?

-Sem dúvida, o amor.

-Esse poder tudo resolve de pronto?

-Entre as criaturas humanas, de modo geral, ainda existem problemas, alusivos ao amor que demandam muito tempo a fim de que se atinja a solução no campo do entendimento.

-E qual o recurso máximo que nos garante segurança entre as desarmonias do mundo?

-A fé.

-Pode a fé ser obtida, de momento para outro?

-Não é assim. A confiança raciocinada reclama edificação vagarosa no curso dos dias.

-A que fator nos cabe recorrer, para que nos conservem o ânimo e a alegria de servir entre conflitos da existência?

-A paz. -E a paz surge espontânea?

-Também não. Ninguém conhece a verdadeira paz sem trabalho e todo trabalho pede luta.

-Então instrutor, não existe elemento algum no mundo que nos assegure benefícios imediatos?

-Existe.

-Onde está esse prodígio, se vejo atritos por toda parte, na Terra?

-O Mentor fez expressivo gesto de compreensão e rematou:

-Filho, a única força capaz de proporcionar-nos triunfos imediatos, em quaisquer setores da vida, é a força da paciência.
 

Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier. 
Da obra: Pronto Socorro / C.E.U.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Poder e ação das vibrações sonoras

Vê-se, pelos fatos acabados de narrar e pelo que as lições de o Esteta afirmam, que o poder das vibrações sonoras se revela sob mil formas. À medida que o homem penetra mais no conhecimento do Universo e da sua estrutura íntima, a lei que o rege, que é da harmonia musical, aparece-lhe em seu princípio, assim como em seus maravilhosos efeitos. 

Änïmä: notas musicais e vibrações sonoras em pensamentos de luz.
É por ela que se edificam e se perpetuam toda a arquitetura dos mundos, todas as formas da vida universal. Pode-se perceber isso por uma simples experiência. Não é curioso, por exemplo, seguir sobre a placa de vidro ou de metal salpicada de areia e posta em contato com um instrumento de cordas, as formas geométricas, os desenhos delicados e complicados que resultam de cada nota e de cada acorde?

No estudo da arte, não é preciso deixar-se desgostar por uma aridez aparente e superficial. O exame atento, a análise constante de todo tema estético, revela-nos atrativos insuspeitáveis e contribui para nos iniciar na lei geral do belo. Pode-se comparar esse exercício mental à subida de uma montanha de aspecto áspero e escarpado, mas da qual cada depressão do terreno contém maravilhas ocultas e que, do seu cume altivo, nos faz descobrir o conjunto harmônico das coisas que se desenvolvem sob os nossos olhares.

Todos os homens podem e devem se interessar por essa questão, porque ela lhes reserva alegrias intelectuais bem superiores a tudo o que os prazeres mentirosos proporcionam.
O mais humilde operário tem em seu pensamento uma saída possível em direção à compreensão do Belo, e aí ele sempre encontrará novos recursos para aperfeiçoar sua própria obra. A arte dentro da profissão é um encaminhamento à arte superior. Cada um trabalha com um gênero particular de beleza mas, na sua finalidade ascensional, todas as almas se expandem numa concepção radiosa da universal e eterna beleza.

A dissociação da matéria e a ação das forças intra-atômicas dão nascimento a uma nova ciência que, ao se desenvolver, abre, ao espírito humano, perspectivas mais amplas sobre a obra do Cosmos.

Em breve se reconhecerá o misterioso laço que une o pensamento, a vontade, à vibração, e que faz da vibração o agente do pensamento e da vontade, a fim de se construírem as inumeráveis formas que povoam a imensidão.

Em resumo, o som, o ritmo, a harmonia, são forças criadoras. Se nós pudéssemos calcular o poder das vibrações sonoras, avaliar sua ação sobre a matéria fluídica, sua forma de agrupar os turbilhões de átomos, chegaríamos a um dos segredos da energia espiritual.

No entanto, é suficiente observar, na experiência que acabamos de citar, as figuras geométricas traçadas pela voz humana ou pelo arco de um violino sobre a placa de vidro recoberta de areia fina, para compreender, por comparação, como o pensamento divino, que é a vibração mestra e a suprema harmonia, pode agir sobre todos os planos da substância e construir as formas colossais das nebulosas, dos sóis, das esferas, e fixar sua trajetória através dos espaços.

O espetáculo da vida universal nos mostra, por toda parte, o esforço da inteligência para conquistar e realizar o belo. Do fundo do abismo da vida, o ser aspira e sobe em direção ao infinito das concepções estéticas, à ciência divina, aos cumes eternos onde reina a beleza perfeita. O esplendor do Universo revela a inteligência divina, assim como a beleza das obras de arte terrestres revela a inteligência humana.

Léon Denis,
em O Espiritismo na Arte.