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sexta-feira, 22 de março de 2013

Um Grande Céu Imutável e Sutil...

A arte é um feito do homem. As estrelas no céu, as árvores no campo e a água nos oceanos não são seus feitos. No entanto as obras de arte existem; tão real quanto o resto.

Não é a beleza que faz a diferença. Que pintor poderia pretender que suas obras fossem mais belas que a que a natureza nos oferece, que ele imita sem poder igualar? E quantos músicos nos agradam menos que um canto de um pássaro?


A beleza talvez faça parte das finalidades pelo menos possíveis da arte; mas não basta para defini-la. É preciso outra coisa, que a natureza sem o homem não contém e que nenhum outro animal sem dúvida percebe. O quê? A própria humanidade, na medida em que se interroga sobre o mundo e sobre si, na medida em que busca um sentido ou uma verdade. Daí a natureza reflexiva da arte.

Isto porque o homem não pode ver coisa nenhuma sem logo se reconhecer em seu olhar. Porque não somos o mundo, a natureza, o universo, nem Deus, e porque este abismo de separação é infinito, a arte nos parece tão exigente e urgente.

A arte então seria um espelho no qual o homem se conhece e reconhece. Mas não porque o homem na arte só veria a si mesmo. O universo é o verdadeiro espelho em que o homem se busca. A arte é o reflexo em que ele se encontra.

Trata-se então de copiar o mundo? Parece que esta é só mais uma possibilidade entre outras tantas. E o que adiantaria imitar se não for para trazer algo de novo, de agradável ou forte? Kant dizia que uma obra de arte não é a representação de uma coisa bela mas sim “a bela representação de uma coisa”. Não se trata de imitar o belo, que não precisa disso, mas de celebrá-lo, quando presente, de criá-lo ou desvendá-lo, quando não está ou passa despercebido. É o que a fotografia nos lembra; todas as fotos são imitações, mas quantas são arte? O artista cria, não copia.

Aqui quem esclarece é Kant. “As belas-artes são as artes do gênio”, ele diz. Mas o que é um gênio? Ele continua, é “um talento ou um dom natural que dá a arte suas regras”. Antes de ser constituído por definições e regras, é ele quem as proporciona. Como escrever depois de Shakespeare? Ou compor depois de Mozart, Bach ou Schubert?

Quantos ainda esperam por regras e definições para fazer arte? Tanto melhor se elas não existirem e o terreno aberto estiver fértil. Quantas possibilidades estaríamos tolhendo se regras fossem instituídas antes mesmo de terem sido geradas pelo trabalho e pela obra dos artistas?

A arte é um trabalho, antes de ser uma religião. Um ofício antes de ser um mistério. O artista, que mede seu esforço pelo seu cansaço, sabe-o muito bem.

A arte é uma espécie de caminho de ascese. Pode-se fazer qualquer coisa em arte e em qualquer domínio. Mas qualquer coisa não é arte.

Ela é essa exigência por mais complexidade, universalidade, subjetividade com objetividade, espontaneidade com disciplina. Ela é este milagre.

É uma ascensão, um assalto ao céu, mesmo que ele não exista.

Daniel Martins
(integrante Änïmä)

quinta-feira, 21 de março de 2013

O mundo precisa de mais música

Pag. 1 - Composição para orquestra (PARALAXES I)
R. Xavier 2013
O mundo precisa de mais música.

A música precisa de mais música nova.


De mais músicos que a compreendam e a respeitem pelo seu poder.


De mais e mais música culta, moderna, intelectual, pura.


Para isso o intelecto precisa ser cultivado, apreciado.


Pois é o tradutor da essência, da emoção e sobre tudo da excelência artística que a boa música, a música da verdade representa.


A música verdadeira não traz somente emoção, mas desperta nosso eu adormecido sobre o palco da vida.

Ricardo Xavier

Músico, compositor e técnico de gravação
(foi o produtor de Futuro Presente, Änïmä - 2012)

segunda-feira, 18 de março de 2013

A música e a transmissão do pensamento artístico

(10 de Fevereiro de 1922)

“Hoje falaremos sobre a música do espaço, considerada como meio de transmissão do pensamento artístico. Sei que um outro espírito, mais perto de vós[i], já tentou vos fazer compreender a forma como as ondas, que chamais de musicais, são criadas e depois transmitidas através do espaço, para chegarem aos diferentes mundos. Já vos disseram que o que chamais de sonoridades para nós é comparável às cores que, transportadas em moléculas fluídicas, percorrem os campos vibratórios e vão comunicar aos seres impressões semelhantes àquelas que vossos ouvidos percebem quando ouvis uma gama de sons harmonizados neste ou naquele grau de vibrações.

Na Terra, quando uma nota é tocada, se ela provém do tom maior, essa nota vos transmite uma sensação de alegria plena e irrestrita. Se ela é em tom menor, ao contrário, vosso cérebro receberá uma sensação de profundidade, algumas vezes de tristeza ou de grande dor, de acordo com a modulação dos acordes e o número de notas tocadas.

Portanto, a esses dois grandes princípios, maior e menor, correspondem duas sensações: alegria e dor. Entre essas notas, tendes uma infinidade de combinações que, por isso mesmo, formarão imagens. Assim como o escultor forma uma imagem virtual, o grupo de notas, os acordes, conforme sejam moduladas em tom maior ou menor, formarão por seu estilo uma série de pensamentos, que se tornam mais ou menos compreensíveis, segundo a evolução dos modos[ii] da música. Eis aqui um ponto estabelecido: as artes plásticas formam imagens e a arte das ondas musicais forma, igualmente, imagem, mas uma imagem mais sutil, da qual o teor é mais frágil e a compreensão mais delicada. Segundo o grau de evolução dos seres, essa compreensão será mais ou menos profunda. É por isso que muitas vezes, na vossa Terra, um ser de uma cultura média será impressionado, enquanto que seu cérebro ficará refratário quando ele quiser servir-se do alfabeto para exprimir seus pensamentos por meio de ondas que qualificais de musicais.

No espaço, como sabeis, não temos instrumentos, são nossos perispíritos que recebem as ondas transmissoras do pensamento musical. Também será preciso impregnar diretamente os seres que devem receber ondas dessa natureza. Como os outros artistas, o espírito evoluído no sentido musical, e que pode experimentar sensações infinitamente suaves e sutis, também pode transmiti-las com a ajuda de vossos instrumentos e por intermédio do cérebro de um dos vossos executantes.

A matéria, para ser posta em movimento pelas ondas fluídicas, necessita de um intermediário, que será o vosso cérebro, o qual, em decorrência, age como um pólo atrativo e uma placa sensível, de onde partem todas as irradiações que emanam dos fluidos.

Vossos grandes músicos podem, como os outros artistas, receber a inspiração, seja do espaço, seja como resultado de trabalhos anteriores. É exatamente o mesmo fenômeno que se produz com os outros artistas.

No espaço nossos meios são muito mais rápidos que os vossos; não temos necessidade de instrumentos para trocar pensamentos, e nossa música é toda de impressões, agindo diretamente sobre a parte mais sensível do nosso ser fluídico, aquela que contém, em diversos graus, a centelha divina e que, entre vós, é representada pelo órgão do coração.

As outras artes se refletem por imagens esculturais ou pictóricas, que são as formas de transmissão de pensamento e, para nós, substituem a palavra. A música é uma impressão especial que invade todo o nosso ser fluídico, lança-o no êxtase, na beatitude, faz com que ele sinta sensações de alegria, de quietude, de angústia, de desgosto, de dor, de pena, de remorsos. Tal é, mais ou menos, a gama de todas as sensações ascendentes e descendentes, que vão do rosa ao preto; o preto representando o nada.

Compreendeis, por conseguinte, sob o ponto de vista puramente artístico, que sensações infinitas podem agir sobre um espírito já evoluído. Agora podeis, na Terra, preparar-vos para receber essas sensações no Além, afastando de vós qualquer satisfação material e sensual. Procurai as atrações artísticas, por mais pobres que sejam; enriquecei vosso pensamento, dai aos vossos nervos um alimento de fortes vibrações; enchei vosso cérebro de sensações que, no vosso mundo, se traduzem por estudos analíticos de vossas vidas terrestres. Tudo isso, um dia, repercutirá no espaço, ao cêntuplo, porquanto as vibrações armazenadas em vosso ser carnal despertarão e atrairão, como uma lira com mil asas[iii], todas as sensações atrativas que podem gerar os sentimentos mais harmoniosos, os mais elevados, que circulam nas correntes que emanam diretamente da esfera divina.

É o mais alto grau da arte, uma sensação artística infinita.

Vossas pobres criaturas não podem experimentar as alegrias inefáveis que sentimos quando essas sensações vêm tocar nossos espíritos extasiados.

Que são essas sensações? Tentarei, como conclusão, dizer-vos, com a permissão de Deus, o que elas podem ser. Isso não será fácil, porque seria vos abrir uma visão direta sobre a obra divina. Vossos guias vão orar. Espero poder vos dar, em algumas palavras, uma idéia dessa grande obra de beleza, de luz e de harmonia.”


O Esteta - Léon Denis
____________________________
[i]    Trata-se do Espírito Massenet, do qual publicaremos as lições mais adiante, nos tópicos especialmente dedicados à música (Nota do Autor; suas notas seqüentes conterão apenas as iniciais N.A.)
[ii]    Modo: (em música) maneira como se dispõem os intervalos de tom e meio-tom numa escala; padrão rítmico constante numa composição (N.T.)
[iii]   Observe-se o profundo sentido desta frase: “como uma lira com mil asas”. A lira, símbolo da poesia, da expressão poética, teria mil asas, mil formas de agasalhar todas as sensações geradoras de sentimentos harmoniosos (N.T.)

sexta-feira, 8 de março de 2013

A Mulher em seu dia

Estamos no Dia Internacional da Mulher, mais uma data assinalativa dessas belas personagens que, sepultando o antigo e equivocado conceito de sexo frágil, atinge em compasso decisivo, social, profissional, até certo ponto audacioso, mas acima de tudo merecido, um invejável pódio no cenário mundial, talvez nem mesmo por elas imaginado.

Nos cargos e funções na magistratura, na ciência, pesquisa, biologia, química, na direção de organismos internacionais, empresa jornalística, no caso Iara de Carvalho diretora do DT, até o honroso e importante cargo de presidente de um país, no caso Dilma Rousseff no Brasil, serão elas hoje, alvos de homenagens, referências, manifestações e distinções e, mais intimamente, mimos, presentes, gestos de afeto e amorosidade.

Na beleza do dia no entanto, o reverso: milhares que sequer imaginam a existência desse dia. As idosas por exemplo que nem são lembradas, e outras tantas que leem e veem esse atos nos jornais e na TV mas não
entendem porque não chegam até elas.

Mas no cômputo geral, no quadro do merecimento humano porém, aquelas em seus cargos e atividades estão contribuindo para a evolução prevista para o orbe. E estas, embora batalhadoras e guerreiras na busca de um melhor posicionamento nesta sociedade carencialmente injusta, mesmo não entendendo, também estarão sendo deferenciadas ao ouvirem, ao passarem, “Oi, Parabéns Pelo Dia da Mulher”, palavras, em relação às homenagens, importantes tanto quanto.

Agê
Fonte: Diário de Taubaté - Coluna Espírita