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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

MUDAR OU CONSERVAR; MUDAR E CONSERVAR

“Nascer, viver, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar; tal é a lei”
Allan Kardec

O que sobrevive a despeito da ação corrosiva do tempo? Tudo sobrevive? A maioria das coisas permanece? Neste caso, como posso evoluir se nada muda, se nada é destruído, se nada morre? Nada sobrevive? Muito pouco permanece? Neste caso, como posso me reconhecer então, se nada fica e se há somente destruição e morte? O que há em mim que pode ser reconhecido como um “eu”? Enfim, o que passa e o que fica? O filósofo grego nos intriga quando diz que “um homem não pode cruzar o mesmo rio por duas vezes”. Na segunda vez, nem ele, nem o rio serão os mesmos... Há uma Lei somente: “Tudo muda, e nada permanece”. O Ser das coisas é um eterno “vir-a-ser” contínuo. 

Somos este composto de poeira e luz de estrelas? Somos este conjunto de idéias e sentimentos que habitam um corpo que se eriça, se cansa, se alegra, que nasce, que morre, que renasce e não cessa de se decompor? Sim, somos tudo isso!

Mas, somos também testemunhas oniscientes deste ciclo eterno e infinito de nascimento e morte, de criação e destruição! Há esta qualidade em nós, esta qualidade de eternidade, este sabor do sopro divino que nos anima. Este olhar de eternidade que herdamos com nosso nascimento, com a nossa filiação.

Então, porque freqüentemente nos esquecemos de olhar para nossos umbigos divinos?

Talvez seja porque quando fazemos isso dissolvemos definitivamente nosso “pequeno eu”, aquele que existe quando digo “Eu” e “Meu” e vem acoplado com todas aquelas coisas que gostamos de acumular: meu carro, minha casa, meu trabalho, minhas idéias, meus sentimentos, meus sonhos, minhas aspirações...
O nascimento do “grande Eu” é a entrega e rendição suprema a este Nada e a este Silêncio que sustenta tudo que vive e respira. É a entrega e rendição suprema a Deus. Deus é o Nada porque não existe; Ele não é isso ou aquilo circunscrito no tempo e no espaço; ele não é uma Coisa! Ele é tudo, e Nada mais!

Estamos sempre à espreita deste Abismo que é o Nada. Se tivermos a coragem de saltar vamos descobrir que este Abismo não tem fundo e que nossa queda no fim das contas é um belo, pleno e derradeiro vôo!
Esta glorificação é somente para aqueles exaltados por Jesus no monte: os pobres de espírito. Aqueles que tiveram a coragem de não acumular demasiadas coisas, nomeando-as de “espírito”, e saltaram por Amor incondicional a Deus e escolheram perder a si próprios!

Bem-aventurados aqueles que saltam, porque deles é o Reino dos Céus...

Daniel Martins

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Humildade celeste

Ninguém mais humilde que Ele, o Divino Governador da Terra.
Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem mágoa a manjedoura simples.

Podia reclamar os princípios da cultura para o seu ministério de paz e redenção; contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu verbo de luz.

Podia articular defesa irresistível a fim de dominar a governança política; no entanto, preferiu render-se à autoridade, presente em sua época, ensinando que o homem deve entregar ao mundo o que ao mundo pertence, e a Deus o que é de Deus.

Podia banir de pronto do colégio apostólico o amigo invigilante, mas preferiu que Judas conseguisse os seus fins, lamentáveis e escusos, descerrando-lhe aos pés o caminho melhor.

Podia erguer-se ao Sol da plena vida eterna, sem voltar-se jamais ao convívio humilhante daqueles que o feriram nos tormentos da cruz; no entanto, preferiu regressar para o mundo, estendendo de novo as mãos alvas e puras aos ingratos da véspera.

Podia constranger o espírito de Saulo a receber-lhe as ordens, mas preferiu surgir-lhe qual companheiro anônimo, rogando-lhe acordar, meditar e servir, em favor de si mesmo.

Em Cristo, fulge sempre a humildade celeste, pela qual aprendemos que, quanto mais poder, mais amplo o trilho augusto aberto às nossas almas para que nos façamos, não apenas humildes pelos padrões da Terra, mas humildes enfim pelos padrões de Deus.

Emmanuel
Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Do livro Antologia Mediúnica do Natal

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Malu é entrevistada pela Abrarte

‘A arte espírita deve fazer brotar nos corações a vontade de ser um ser humano melhor a cada dia’

Mara Lucia Ramos Portella é natural de Tremembé (SP), mas reside em Taubaté (SP) desde o primeiro ano de idade. Formada em Pedagogia e Letras, é professora de inglês. Já atuou na área de evangelização infanto-juvenil, e atualmente desenvolve trabalhos com música, em oficinas para a infância e a juventude. É integrante do grupo Änïmä, de Taubaté. É associada da Abrarte desde novembro de 2011.


1. Como você começou seu trabalho com arte espírita?
Ingressei no Espiritismo aos 13 anos, e logo já fazia parte da mocidade. Desde o início me envolvi profundamente, gostei demais da ideia de passar minhas tardes de sábado aprendendo e conhecendo pessoas. A alegria presente naquele ambiente me encantava e eu queria mais, participava de tudo o que era proposto. Logo eu estava ajudando na evangelização e fazia parte do grupo de teatro. Anos mais tarde conheci o Helton, músico e compositor no Änïmä. Ele tinha um trabalho muito bacana com oficinas de música na mocidade, além de tocar na mocidade e nos eventos onde íamos. Começamos a namorar e eu o acompanhava. Assim, foi surgindo algo novo para mim, que era trabalhar com a música, e eu me envolvi totalmente. Então veio o Änïmä e nós sentimos a necessidade de estudar. Ele é músico, eu sempre gostei de música e há uma longa distância entre ambos. Eu comecei a estudar música e continuo até hoje.

2. Como você define a arte espírita?
Cada pessoa recebe a arte de uma maneira muito particular, de acordo com o que carrega dentro de si. Ela é um instrumento de transmissão de mensagens, sejam elas boas ou ruins. Ela fala de muitas maneiras e nós podemos encontrar o belo em tudo o que se intitula arte, se pudermos sentir, se ela nos causa um sentimento, qualquer que ele seja. Fazer arte é uma responsabilidade enorme, causar um sentimento em outro ser humano é algo extremamente poderoso, e tudo o que traz algum tipo de poder é muito perigoso, pois nós não sabemos em que pode resultar. A Arte no Espiritismo, ao meu entender, é um causar sentimentos bons e fazer brotar nos corações de quem a recebe a vontade de ser um ser humano melhor a cada dia, a cada passo, em cada olhar. Mas, mesmo com esse teor de levar boas mensagens, jamais podemos banalizá-la com o velho discurso de "vale a boa-vontade" ou "o que vale é a intenção". É fundamental que as pessoas que se propõem a um trabalho artístico no movimento espírita tenham a consciência de que devem estudar, se profissionalizar – e aqui vale um lembrete: profissional não é apenas o que ganha dinheiro pelo seu trabalho, mas aquele que desenvolve seu trabalho com excelência. Não devemos nos acomodar em nossa "boa-vontade" somente porque estamos realizando um trabalho religioso. É para Jesus, e ele, assim como as pessoas que se abrem para receber o nosso trabalho, merecem o melhor.

3. Você está no Änïmä desde o começo. Poderia falar um pouco sobre o grupo?
Veio de um trabalho de música das COMEVALPs [Confraternização das Mocidades Espíritas do Vale do Paraíba]. Éramos uma equipe grande e muito animada, com integrantes de várias cidades daqui do Vale do Paraíba, responsável pela parte musical dos encontros. Começamos a tocar fora da COMEVALP, em eventos de nossas cidades, e com o tempo percebemos que seria interessante se separássemos os trabalhos. Assim, o Änïmä foi tomando forma, mas demorou um bom tempo e uma grande troca de emails para receber este nome. Conforme o tempo foi passando, pessoas foram saindo – como eu disse, éramos um grupo grande – outras foram se juntando a nós, o trabalho foi sendo lapidado, melhorado e hoje estamos nesta formação que vocês conhecem.

4. Há novos projetos para o grupo?
Sim, um terceiro CD para 2014, se tudo der certo! Um DVD com vídeos de nossas músicas. Também estamos desenvolvendo um livro de planejamento de aulas para evangelização e mocidade, com as nossas músicas. E shows. Ainda estamos com a agenda bem folgada para o ano que vem, aguardando convites!

5. Você já trabalhou com música e teatro na evangelização. Poderia falar um pouco dessa experiência?
O teatro foi meu primeiro contato com arte no Espiritismo, era uma atividade muito gostosa! Tínhamos as peças que apresentávamos dentro de nosso centro, para as crianças e famílias. Era mais boa vontade de todos mesmo, não tínhamos envolvimento com técnicas, acho que naquela época nem se falava disso. Para mim foi uma excelente experiência que me permitiu conhecer mais sobre o Espiritismo e a importância de levar boas mensagens e fazer amigos.

6. Atualmente, você continua desenvolvendo oficinas de arte na evangelização. Na sua opinião, qual a importância da arte na evangelização?
Enorme! A arte, em minha opinião, é a melhor maneira que temos de nos sentirmos bem, de nos abrirmos para novas experiências, para o novo. Trabalhar com arte é um ótimo caminho para se chegar onde se deseja. Quando o evangelizador prepara uma aula e utiliza de recursos artísticos, seja uma argila, uma colagem, uma música, ele cria oportunidades para que seus alunos recebam as informações e as compreendam de uma maneira muito tranquila e fácil. Qualquer arte é bem-vinda, e os recursos devem ser variados, para que as aulas jamais fiquem monótonas e chatas. Atualmente, devido aos rumos da vida, Helton e eu não estamos mais envolvidos diretamente com trabalhos contínuos de evangelização e mocidade, mas o Änïmä trabalha com as oficinas musicais, que consistem em um único dia, no qual vamos até a evangelização ou mocidade e desenvolvemos atividades diversas com a música. Temos um trabalho pronto, mas tudo depende do que a coordenação nos solicita. Ensinamos algumas músicas, cantamos, brincamos, jogamos e temos um momento de debate, no qual relacionamos uma das músicas trabalhadas com um tema da codificação. Às vezes a própria coordenação nos pede um tema específico, se não, nós escolhemos. É um trabalho muito divertido.

Fonte: Abrarte

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Limpar a Mente

Os bons costumes tornam a mente límpida e clareiam o verbo, enriquecendo-o, para que os ouvintes sejam estimulados ao exercício do bem eterno. A poluição mental turva a consciência e conturba o raciocínio, deixando a alma trôpega no vaso da carne. O homem civilizado não tem o costume diário de higienizar o corpo? Pois a mente, na verdade, tem grande necessidade de limpeza, tanto quanto o corpo, por ser o centro da vida que comanda todo a massa somática.

E esse trabalho começa como a chuva: divide-se em bilhões de gotículas, mas farta a humanidade e a natureza, limpa a atmosfera e destampa as minúsculas aberturas das árvores, de onde promana o oxigênio puro, no vigor da própria existência. Assim, a chuva, para a mente, há de surgir nessas mesmas proporções: bilhões ou trilhões de pequenos esforços, somando uma torrente de energias vivas, conduzindo todo o entulho da consciência por canais apropriados. E a pureza do raciocínio faz nascer um clima enriquecido para as belezas imortais do amor, da alegria e da fraternidade. Sugestiona o ser à procura de Deus e a obedecer às leis.

A castidade mental é obra de grande importância para a nossa supremacia espiritual, sem as sutilezas da arrogância e as manobras do orgulho. Devemos nos esforçar todos os dias, a partir do momento em que nos alistamos no exército do Cristo. Como espíritos, mesmo no mundo, mas à procura da luz, compreendamos, na urgência das nossas necessidades, que renovação é tema central da alma - ovelha que reconhece o pastor, atendendo os seus magnânimos convites, pela inteligência e pelo coração.

A elegância dos pensamentos ajusta o meio ambiente em que viveis, para chamados fraternos e para uma conversação sadia, desamarrando do núcleo da vida, a expressão do amor, de modo a participar, na mesma freqüência, a razão. Para que tudo isso se faça, o esforço próprio é imprescindível, dia a dia. A auto-educação haverá de se processar passo a passo, e a vigilância deve arregimentar todas as forças possíveis nessa imensurável batalha que somente termina na pureza espiritual, para começar outros labores, em escalas que escapam ao raciocínio humano.

A vida é um turbilhão de vidas sucessivas, que se associam por lei de esforços e de obediências correlatas. No homem, o começo do sofrimento é princípio de maturidade. É, pois, a força do progresso atingindo a sua farda física, para que o corpo espiritual se atualize nas necessidades maiores. Os grandes golpes na alma clareiam seu caminho para certas mudanças na arte de viver melhor.

Escrevemos para todos, é certo. No entanto, endereçamos nossas mensagens, com mais intimidade, aos despertos, aos companheiros conscientes dos seus deveres ante a escalada do Mestre. Se começais hoje a vos renovar na vida que levais, amanhã sereis torturados impiedosamente pelas forças contrárias, donde resulta a desistência de muitos estudantes da verdade, por ignorarem que o ataque, a maledicência, a injúria, o desprezo são outras tantas forças do bem, revestidas aparentemente de inimigos. Todavia, o que Jesus disse nos conforta sobre maneira: “Aquele que perseverar até o fim, será salvo”.

Associemos nossos esforços aos regimes das leis de Deus, respeitando-as em todas as suas nuances. Se algo faltar de nossa parte, nunca haverá de ser a persistência, como onda de luz a transformar as nossa boas intenções em realidades.

Higienizemos a nossa mente, sem afrontá-la agressivamente. A experiência nos aconselha que o trabalho paciente e constante vencerá obstáculos que se nos afiguram em posição irremovível. Na verdade, a mente plasma o que os olhos vêem, como máquina fotográfica pronta para disparar tendo em mira o objetivo visado. Não obstante, poderemos fechar o diafragma. Assim sucede com os ouvidos, assim se processa na formação das idéias. Orar e vigiar é atitude certa para que a mente não se suje mais. E o trabalho de limpeza deve ser eficiente, diminuindo a carga corrosiva acumulada em muitos séculos. Um pouco de boa vontade vos colocará, com habilidade, nesse saneamento, e o conceitos que propomos nesse livro são, um tanto um quanto, companheiros da limpeza espiritual, convidando a todos para a libertação.


Miramez,

médium João Nunes Maia
do livro Horizontes da Mente

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Arte de Doar

Quando ofertarmos, possuímos.
Quando recebemos, tornamo-nos devedores.

A felicidade em poder repartir é sempre maior do que aquela que convida a acumular quando o próximo tem carência.

A semente que se nega a sucumbir na terra, para desdobrar-se na vida, morre na inutilidade.
Todavia, a que perece, esmagada no solo, revive com exuberância.

Toda doação é uma sementeira para o futuro, que a vida se encarrega de multiplicar.

Há moedas esquecidas que se podem tornar dádivas de importância, tais como a hospitalidade fraternal, a expressão de cortesia, o gesto de amizade, a participação no sofrimento alheio, o sorriso gentil, que não custam dinheiro e, em certos momentos, são mais valiosos do que ele.

A caridade que se converte em triunfo pessoal naquele que a recebe, é sempre luz inapagável na vida de quem a pratica.

Vive com otimismo na confiança integral em Deus e distribui alegria por onde passes.

Não deixes ninguém afastar-se de ti, sem que leve um traço de bondade ou um sinal de paz da tua vida.

Quem se aproximou de Jesus, nunca mais foi o mesmo, jamais O esqueceu.


Joanna de Ângelis
Médium: Divaldo Pereira Franco

terça-feira, 28 de maio de 2013

Benefícios Imediatos

Entre o Aprendiz e o Orientador se estabeleceu o precioso diálogo:

-Instrutor, qual é a força que domina a vida?

-Sem dúvida, o amor.

-Esse poder tudo resolve de pronto?

-Entre as criaturas humanas, de modo geral, ainda existem problemas, alusivos ao amor que demandam muito tempo a fim de que se atinja a solução no campo do entendimento.

-E qual o recurso máximo que nos garante segurança entre as desarmonias do mundo?

-A fé.

-Pode a fé ser obtida, de momento para outro?

-Não é assim. A confiança raciocinada reclama edificação vagarosa no curso dos dias.

-A que fator nos cabe recorrer, para que nos conservem o ânimo e a alegria de servir entre conflitos da existência?

-A paz. -E a paz surge espontânea?

-Também não. Ninguém conhece a verdadeira paz sem trabalho e todo trabalho pede luta.

-Então instrutor, não existe elemento algum no mundo que nos assegure benefícios imediatos?

-Existe.

-Onde está esse prodígio, se vejo atritos por toda parte, na Terra?

-O Mentor fez expressivo gesto de compreensão e rematou:

-Filho, a única força capaz de proporcionar-nos triunfos imediatos, em quaisquer setores da vida, é a força da paciência.
 

Emmanuel
Médium: Francisco Cândido Xavier. 
Da obra: Pronto Socorro / C.E.U.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Poder e ação das vibrações sonoras

Vê-se, pelos fatos acabados de narrar e pelo que as lições de o Esteta afirmam, que o poder das vibrações sonoras se revela sob mil formas. À medida que o homem penetra mais no conhecimento do Universo e da sua estrutura íntima, a lei que o rege, que é da harmonia musical, aparece-lhe em seu princípio, assim como em seus maravilhosos efeitos. 

Änïmä: notas musicais e vibrações sonoras em pensamentos de luz.
É por ela que se edificam e se perpetuam toda a arquitetura dos mundos, todas as formas da vida universal. Pode-se perceber isso por uma simples experiência. Não é curioso, por exemplo, seguir sobre a placa de vidro ou de metal salpicada de areia e posta em contato com um instrumento de cordas, as formas geométricas, os desenhos delicados e complicados que resultam de cada nota e de cada acorde?

No estudo da arte, não é preciso deixar-se desgostar por uma aridez aparente e superficial. O exame atento, a análise constante de todo tema estético, revela-nos atrativos insuspeitáveis e contribui para nos iniciar na lei geral do belo. Pode-se comparar esse exercício mental à subida de uma montanha de aspecto áspero e escarpado, mas da qual cada depressão do terreno contém maravilhas ocultas e que, do seu cume altivo, nos faz descobrir o conjunto harmônico das coisas que se desenvolvem sob os nossos olhares.

Todos os homens podem e devem se interessar por essa questão, porque ela lhes reserva alegrias intelectuais bem superiores a tudo o que os prazeres mentirosos proporcionam.
O mais humilde operário tem em seu pensamento uma saída possível em direção à compreensão do Belo, e aí ele sempre encontrará novos recursos para aperfeiçoar sua própria obra. A arte dentro da profissão é um encaminhamento à arte superior. Cada um trabalha com um gênero particular de beleza mas, na sua finalidade ascensional, todas as almas se expandem numa concepção radiosa da universal e eterna beleza.

A dissociação da matéria e a ação das forças intra-atômicas dão nascimento a uma nova ciência que, ao se desenvolver, abre, ao espírito humano, perspectivas mais amplas sobre a obra do Cosmos.

Em breve se reconhecerá o misterioso laço que une o pensamento, a vontade, à vibração, e que faz da vibração o agente do pensamento e da vontade, a fim de se construírem as inumeráveis formas que povoam a imensidão.

Em resumo, o som, o ritmo, a harmonia, são forças criadoras. Se nós pudéssemos calcular o poder das vibrações sonoras, avaliar sua ação sobre a matéria fluídica, sua forma de agrupar os turbilhões de átomos, chegaríamos a um dos segredos da energia espiritual.

No entanto, é suficiente observar, na experiência que acabamos de citar, as figuras geométricas traçadas pela voz humana ou pelo arco de um violino sobre a placa de vidro recoberta de areia fina, para compreender, por comparação, como o pensamento divino, que é a vibração mestra e a suprema harmonia, pode agir sobre todos os planos da substância e construir as formas colossais das nebulosas, dos sóis, das esferas, e fixar sua trajetória através dos espaços.

O espetáculo da vida universal nos mostra, por toda parte, o esforço da inteligência para conquistar e realizar o belo. Do fundo do abismo da vida, o ser aspira e sobe em direção ao infinito das concepções estéticas, à ciência divina, aos cumes eternos onde reina a beleza perfeita. O esplendor do Universo revela a inteligência divina, assim como a beleza das obras de arte terrestres revela a inteligência humana.

Léon Denis,
em O Espiritismo na Arte.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Música em nossas vidas

Conta-se que, um dia, ao ouvir o silvo do vento passar pelo tronco oco de uma árvore, o homem o desejou imitar. E inventou a flauta.

Tudo na natureza tem musicalidade. O vento dedilha sons na vasta cabeleira das árvores e murmura melodias enquanto acarinha as pétalas das flores e os pequenos arbustos.

Quando se prepara a tempestade, ribombam os trovões, como o som dos tambores marcando o passo dos soldados, em batidas ritmadas e fortes.

Quando cai a chuva sobre a terra seca pela estiagem, ouve-se o burburinho de quem bebe com pressa.

Cantam os rios, as cachoeiras, ulula o mar bravio.

Tudo é som e harmonia na natureza. Mesmo quando os elementos parecem enlouquecidos, no prenúncio da tormenta.

E lembramos das poderosas harmonias do Universo, gigantesca harpa vibrando sob o pensamento de Deus, do canto dos mundos, do ritmo eterno que embala a gênese dos astros e das humanidades.

Em tudo há ritmo, harmonia, musicalidade.

Em nosso corpo, bate ritmado o coração, trabalham os pulmões em ritmo próprio, escorre o sangue pelas veias e artérias.

Tudo em tempo marcado. Harmonia.

Nosso passo, nosso falar é marcado pelo ritmo.

A música está na natureza e, por sermos parte integrante dela, temos música em nossa intimidade. Somos música.

Por isso é que o homem, desde o princípio, compôs melodias para deliciar as suas noites, amenizar a saudade, cantar amores, lamentar os mortos.

Também aprendeu que, através das notas musicais, podia erguer hinos de louvor ao Criador de todas as coisas.

E surgiu a música mística, a música sacra, o canto gregoriano.

Entre os celtas, era considerada bem inalienável a harpa, junto ao livro e à espada.

Eles viam na música o ensinamento estético por excelência, o meio mais seguro de elevar o pensamento às alturas sublimes.

Os cristãos primitivos, ao marcharem para o martírio, o faziam entre hinos ao Senhor. Verdadeiras preces que os conduziam ao êxtase e os fortaleciam para enfrentar o fogo, as feras, a morte, sem temor algum.

O rei de Israel, Saul, em suas crises nervosas e obsessivas, chamava o pastor Davi que, através dos sons de sua harpa, o acalmava.

A música é a mais sublime de todas as artes. Desperta na alma impressões de arte e de beleza. Melhor do que a palavra, representa o movimento, que é uma das leis da vida. Por isso ela é a própria voz do mundo superior.

A voz humana possui entonações de uma flexibilidade e de uma variedade que a tornam superior a todos os instrumentos.

Ela pode expressar os estados de espírito, todas as sensações de alegria e da dor, desde a invocação de amor até às entonações mais trágicas do desespero.

É por isso que a introdução dos coros na música orquestrada e na sinfonia enriqueceu a arte de um elemento de encanto e de beleza.

É por isso que a sabedoria popular adverte: Quem canta, seus males espanta!

Cantemos!
 

Redação do Momento Espírita, com trechos do cap. VII do livro
O espiritismo na arte, de Léon Denis, ed. Arte e cultura.
Em 19.07.2012

terça-feira, 2 de abril de 2013

Aniversário de Chico Xavier


Francisco Cândido Xavier, conhecido como Chico Xavier, nasceu em Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais, no dia 2 de Abril de 1910 numa família humilde. 

Foi um dos mais conhecidos espíritas do Brasil.

Foi educado na fé católica, mas teve seu primeiro contato com os Espíritos desencarnados aos 4 anos de idade.

Sua mãe desencarnou quando ele tinha 5 anos de idade. 

O pai, sem ter condições de criar os 9 filhos, os distribuiu entre os familiares.

Chico ficou por 2 anos na casa da madrinha Rita de Cássia que logo se mostrou cruél ao aplicar-lhe torturas terríveis.

O espírito da mãe desencarnada aparecia para ele e recomendava "paciência, resignação e fé em Jesus".

O pai casou-se novamente e a madrasta Cidália exigiu reunir os 9 irmãos. O casal teve mais 6 filhos. Chico começou a vender legumes da horta da casa para ajudar na despesa.

Chico era motivo de chacota na escola por ver e falar com espíritos. O pai pensou em interná-lo, mas o padre Scarzelli disse que era apenas "fantasias de menino". Aconselhou que ele começasse a trabalhar. Então, ingressou como operário em uma fábrica de tecidos, onde foi submetido à rigorosa disciplina do trabalho fabril, que lhe deixou sequelas para o resto da vida; depois foi servente de cozinha no bar de Claudovino Rocha; caixeiro no armazém de Felizardo Sobrinho e aposentou como inspetor agrícola na Fazenda Modelo, onde trabalhou de 1930 até ao final dos anos 1950. Hoje, a Fazenda Modelo tornou-se o Espaço Cultural Chico Xavier.

Em 1924 terminou o curso primário e nunca mais voltou a estudar.


Quando ele estava com 17 anos sua madrasta desencarnou e ele começou a estudar o Espiritismo.

Sofria com doença complexa nas vistas: o deslocamento do cristalino e estrabismo. Sofreu crises de angina e dois enfartes. 

Em 1931 teve o primeiro contato com Emmanuel e publicou o primeiro livro "Parnaso de Além Túmulo".

Psicografou mais de quatrocentos livros, e nunca admitiu ser o autor de nenhuma obra. Pois insistia dizer que reproduzia o que os espíritos ditavam. 

Nunca aceitou o dinheiro lucrado com a venda de seus livros, doando os direitos autorais para instituições espíritas. 

A venda dos livros ajudava e ainda ajuda pessoas necessitadas. 

O seu nome foi muito conhecido no Brasil, por sua humanidade e assistência ao próximo.

Chico dizia que gostaria de desencarnar no dia em que o povo brasileiro estivesse feliz. Seu pedido foi atendido. Ele desencarnou em 2002 já com 92 anos de idade no dia em que o Brasil ganhou a Copa do Mundo. Merecimento por tantos anos de dedicação a causa espírita cristã. 

Pensou até o último instante na dor alheia e mostrou mais um ato de humildade. Não queria a atenção só para si. 
Fonte: http://grupoallankardec.blogspot.com.br/2012/04/aniversario-de-chico-xavier.html

sexta-feira, 22 de março de 2013

Um Grande Céu Imutável e Sutil...

A arte é um feito do homem. As estrelas no céu, as árvores no campo e a água nos oceanos não são seus feitos. No entanto as obras de arte existem; tão real quanto o resto.

Não é a beleza que faz a diferença. Que pintor poderia pretender que suas obras fossem mais belas que a que a natureza nos oferece, que ele imita sem poder igualar? E quantos músicos nos agradam menos que um canto de um pássaro?


A beleza talvez faça parte das finalidades pelo menos possíveis da arte; mas não basta para defini-la. É preciso outra coisa, que a natureza sem o homem não contém e que nenhum outro animal sem dúvida percebe. O quê? A própria humanidade, na medida em que se interroga sobre o mundo e sobre si, na medida em que busca um sentido ou uma verdade. Daí a natureza reflexiva da arte.

Isto porque o homem não pode ver coisa nenhuma sem logo se reconhecer em seu olhar. Porque não somos o mundo, a natureza, o universo, nem Deus, e porque este abismo de separação é infinito, a arte nos parece tão exigente e urgente.

A arte então seria um espelho no qual o homem se conhece e reconhece. Mas não porque o homem na arte só veria a si mesmo. O universo é o verdadeiro espelho em que o homem se busca. A arte é o reflexo em que ele se encontra.

Trata-se então de copiar o mundo? Parece que esta é só mais uma possibilidade entre outras tantas. E o que adiantaria imitar se não for para trazer algo de novo, de agradável ou forte? Kant dizia que uma obra de arte não é a representação de uma coisa bela mas sim “a bela representação de uma coisa”. Não se trata de imitar o belo, que não precisa disso, mas de celebrá-lo, quando presente, de criá-lo ou desvendá-lo, quando não está ou passa despercebido. É o que a fotografia nos lembra; todas as fotos são imitações, mas quantas são arte? O artista cria, não copia.

Aqui quem esclarece é Kant. “As belas-artes são as artes do gênio”, ele diz. Mas o que é um gênio? Ele continua, é “um talento ou um dom natural que dá a arte suas regras”. Antes de ser constituído por definições e regras, é ele quem as proporciona. Como escrever depois de Shakespeare? Ou compor depois de Mozart, Bach ou Schubert?

Quantos ainda esperam por regras e definições para fazer arte? Tanto melhor se elas não existirem e o terreno aberto estiver fértil. Quantas possibilidades estaríamos tolhendo se regras fossem instituídas antes mesmo de terem sido geradas pelo trabalho e pela obra dos artistas?

A arte é um trabalho, antes de ser uma religião. Um ofício antes de ser um mistério. O artista, que mede seu esforço pelo seu cansaço, sabe-o muito bem.

A arte é uma espécie de caminho de ascese. Pode-se fazer qualquer coisa em arte e em qualquer domínio. Mas qualquer coisa não é arte.

Ela é essa exigência por mais complexidade, universalidade, subjetividade com objetividade, espontaneidade com disciplina. Ela é este milagre.

É uma ascensão, um assalto ao céu, mesmo que ele não exista.

Daniel Martins
(integrante Änïmä)

quinta-feira, 21 de março de 2013

O mundo precisa de mais música

Pag. 1 - Composição para orquestra (PARALAXES I)
R. Xavier 2013
O mundo precisa de mais música.

A música precisa de mais música nova.


De mais músicos que a compreendam e a respeitem pelo seu poder.


De mais e mais música culta, moderna, intelectual, pura.


Para isso o intelecto precisa ser cultivado, apreciado.


Pois é o tradutor da essência, da emoção e sobre tudo da excelência artística que a boa música, a música da verdade representa.


A música verdadeira não traz somente emoção, mas desperta nosso eu adormecido sobre o palco da vida.

Ricardo Xavier

Músico, compositor e técnico de gravação
(foi o produtor de Futuro Presente, Änïmä - 2012)

segunda-feira, 18 de março de 2013

A música e a transmissão do pensamento artístico

(10 de Fevereiro de 1922)

“Hoje falaremos sobre a música do espaço, considerada como meio de transmissão do pensamento artístico. Sei que um outro espírito, mais perto de vós[i], já tentou vos fazer compreender a forma como as ondas, que chamais de musicais, são criadas e depois transmitidas através do espaço, para chegarem aos diferentes mundos. Já vos disseram que o que chamais de sonoridades para nós é comparável às cores que, transportadas em moléculas fluídicas, percorrem os campos vibratórios e vão comunicar aos seres impressões semelhantes àquelas que vossos ouvidos percebem quando ouvis uma gama de sons harmonizados neste ou naquele grau de vibrações.

Na Terra, quando uma nota é tocada, se ela provém do tom maior, essa nota vos transmite uma sensação de alegria plena e irrestrita. Se ela é em tom menor, ao contrário, vosso cérebro receberá uma sensação de profundidade, algumas vezes de tristeza ou de grande dor, de acordo com a modulação dos acordes e o número de notas tocadas.

Portanto, a esses dois grandes princípios, maior e menor, correspondem duas sensações: alegria e dor. Entre essas notas, tendes uma infinidade de combinações que, por isso mesmo, formarão imagens. Assim como o escultor forma uma imagem virtual, o grupo de notas, os acordes, conforme sejam moduladas em tom maior ou menor, formarão por seu estilo uma série de pensamentos, que se tornam mais ou menos compreensíveis, segundo a evolução dos modos[ii] da música. Eis aqui um ponto estabelecido: as artes plásticas formam imagens e a arte das ondas musicais forma, igualmente, imagem, mas uma imagem mais sutil, da qual o teor é mais frágil e a compreensão mais delicada. Segundo o grau de evolução dos seres, essa compreensão será mais ou menos profunda. É por isso que muitas vezes, na vossa Terra, um ser de uma cultura média será impressionado, enquanto que seu cérebro ficará refratário quando ele quiser servir-se do alfabeto para exprimir seus pensamentos por meio de ondas que qualificais de musicais.

No espaço, como sabeis, não temos instrumentos, são nossos perispíritos que recebem as ondas transmissoras do pensamento musical. Também será preciso impregnar diretamente os seres que devem receber ondas dessa natureza. Como os outros artistas, o espírito evoluído no sentido musical, e que pode experimentar sensações infinitamente suaves e sutis, também pode transmiti-las com a ajuda de vossos instrumentos e por intermédio do cérebro de um dos vossos executantes.

A matéria, para ser posta em movimento pelas ondas fluídicas, necessita de um intermediário, que será o vosso cérebro, o qual, em decorrência, age como um pólo atrativo e uma placa sensível, de onde partem todas as irradiações que emanam dos fluidos.

Vossos grandes músicos podem, como os outros artistas, receber a inspiração, seja do espaço, seja como resultado de trabalhos anteriores. É exatamente o mesmo fenômeno que se produz com os outros artistas.

No espaço nossos meios são muito mais rápidos que os vossos; não temos necessidade de instrumentos para trocar pensamentos, e nossa música é toda de impressões, agindo diretamente sobre a parte mais sensível do nosso ser fluídico, aquela que contém, em diversos graus, a centelha divina e que, entre vós, é representada pelo órgão do coração.

As outras artes se refletem por imagens esculturais ou pictóricas, que são as formas de transmissão de pensamento e, para nós, substituem a palavra. A música é uma impressão especial que invade todo o nosso ser fluídico, lança-o no êxtase, na beatitude, faz com que ele sinta sensações de alegria, de quietude, de angústia, de desgosto, de dor, de pena, de remorsos. Tal é, mais ou menos, a gama de todas as sensações ascendentes e descendentes, que vão do rosa ao preto; o preto representando o nada.

Compreendeis, por conseguinte, sob o ponto de vista puramente artístico, que sensações infinitas podem agir sobre um espírito já evoluído. Agora podeis, na Terra, preparar-vos para receber essas sensações no Além, afastando de vós qualquer satisfação material e sensual. Procurai as atrações artísticas, por mais pobres que sejam; enriquecei vosso pensamento, dai aos vossos nervos um alimento de fortes vibrações; enchei vosso cérebro de sensações que, no vosso mundo, se traduzem por estudos analíticos de vossas vidas terrestres. Tudo isso, um dia, repercutirá no espaço, ao cêntuplo, porquanto as vibrações armazenadas em vosso ser carnal despertarão e atrairão, como uma lira com mil asas[iii], todas as sensações atrativas que podem gerar os sentimentos mais harmoniosos, os mais elevados, que circulam nas correntes que emanam diretamente da esfera divina.

É o mais alto grau da arte, uma sensação artística infinita.

Vossas pobres criaturas não podem experimentar as alegrias inefáveis que sentimos quando essas sensações vêm tocar nossos espíritos extasiados.

Que são essas sensações? Tentarei, como conclusão, dizer-vos, com a permissão de Deus, o que elas podem ser. Isso não será fácil, porque seria vos abrir uma visão direta sobre a obra divina. Vossos guias vão orar. Espero poder vos dar, em algumas palavras, uma idéia dessa grande obra de beleza, de luz e de harmonia.”


O Esteta - Léon Denis
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[i]    Trata-se do Espírito Massenet, do qual publicaremos as lições mais adiante, nos tópicos especialmente dedicados à música (Nota do Autor; suas notas seqüentes conterão apenas as iniciais N.A.)
[ii]    Modo: (em música) maneira como se dispõem os intervalos de tom e meio-tom numa escala; padrão rítmico constante numa composição (N.T.)
[iii]   Observe-se o profundo sentido desta frase: “como uma lira com mil asas”. A lira, símbolo da poesia, da expressão poética, teria mil asas, mil formas de agasalhar todas as sensações geradoras de sentimentos harmoniosos (N.T.)

sexta-feira, 8 de março de 2013

A Mulher em seu dia

Estamos no Dia Internacional da Mulher, mais uma data assinalativa dessas belas personagens que, sepultando o antigo e equivocado conceito de sexo frágil, atinge em compasso decisivo, social, profissional, até certo ponto audacioso, mas acima de tudo merecido, um invejável pódio no cenário mundial, talvez nem mesmo por elas imaginado.

Nos cargos e funções na magistratura, na ciência, pesquisa, biologia, química, na direção de organismos internacionais, empresa jornalística, no caso Iara de Carvalho diretora do DT, até o honroso e importante cargo de presidente de um país, no caso Dilma Rousseff no Brasil, serão elas hoje, alvos de homenagens, referências, manifestações e distinções e, mais intimamente, mimos, presentes, gestos de afeto e amorosidade.

Na beleza do dia no entanto, o reverso: milhares que sequer imaginam a existência desse dia. As idosas por exemplo que nem são lembradas, e outras tantas que leem e veem esse atos nos jornais e na TV mas não
entendem porque não chegam até elas.

Mas no cômputo geral, no quadro do merecimento humano porém, aquelas em seus cargos e atividades estão contribuindo para a evolução prevista para o orbe. E estas, embora batalhadoras e guerreiras na busca de um melhor posicionamento nesta sociedade carencialmente injusta, mesmo não entendendo, também estarão sendo deferenciadas ao ouvirem, ao passarem, “Oi, Parabéns Pelo Dia da Mulher”, palavras, em relação às homenagens, importantes tanto quanto.

Agê
Fonte: Diário de Taubaté - Coluna Espírita

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Função da Casa Espírita

Se nós observarmos o mundo de hoje identificaremos que ele está passando por uma grave crise. As guerras, o terrorismo, a fome, as doenças, a violência, a corrupção e o desequilíbrio ecológico são alguns fatores dessa crise.

Porque o mundo está assim? O que estamos fazendo aqui na Terra? Porque as pessoas agem descontroladamente?

Devido à falta de conhecimento e de evolução. Os seres humanos aprendem, por dois caminhos: pela dor ou pelo amor.

Neste mundo de provas e expiações a casa espírita funciona como um pronto socorro para as dores físicas e morais.

Quando procuramos um pronto socorro?

Quando necessitamos com urgência de atendimento.

No pronto socorro médico, após os primeiros socorros e medicamentos o paciente é encaminhado aos médicos especialistas, e cabe ao paciente vigiar e cuidar da sua saúde, tomandoos devidos cuidados para com ela.

Na casa espírita também recebemos os primeiros socorros, através dos passes e dos trabalhos de desobsessão e orientações de como prosseguir na jornada da vida de uma maneira mais salutar. É através dos estudos e conhecimento da doutrina espírita que caminhamos melhor.

A casa espírita além de um pronto socorro é local de estudos e reflexões sobre as questões da vida sob a luz da filosofia, da ciência e da religião.

Os estudos sobre os princípios espíritas podem nos ajudar a pensar sobre o sentido e o significado da vida, de modo a ampliar o entendimento sobre quem somos e o que somos. Permite o exercício da pesquisa e da construção de respostas que o ajudem a fazer o exercício do livre arbítrio.

Algumas pessoas podem pensar que “lá vem lavagem cerebral”. Essas pessoas ainda não aprenderam que a proposta espírita é que o espiritismo tem cunho filosófico, científico
e religioso. É sempre no sentido de ensinar a pensar e não o que pensar.

Assim quando as pessoas se derem conta que terão que voltar a escolaridade do Planeta Terra (porque não concluímos o curso na escola da vida) em nova oportunidade reencarnatória, mudaremos de opinião, e o mundo melhorará.

Essa conscientização só é possível pela descoberta pessoal. Afinal quem já compreende o livre arbítrio já sabe que não há como impor uma crença a outro. As verdades se revelam no interior do ser à medida que ele olha, pensa, compara, conclui e vivencia suas próprias experiências.

Vivenciar o que?

O que aprendemos aqui, nos livros, nos cursos oferecidos pela casa, ouvindo palestras e exposições.

Vivenciar principalmente a caridade e o amor ao próximo.

Devemos reconhecer e agradecer a oportu nidade de estarmos hoje aqui aprendendo e ajudando materialmente e ou espiritualmente nossos irmão encarnados e desencarnados.

Então as funções da Casa Espírita são:

Pronto socorro – passes e trabalhos de Desobsessão;

Local de estudos e reflexão;

Local onde encontramos a oportunidade de trabalho ao próximo.

Alzira Cazeris

Fonte: Coluna Espírita - Diário de Taubaté

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Poder do ridículo

Revista Espírita, fevereiro de 1869
 
Lendo um jornal, encontramos esta frase proverbial: Na Franca o ridículo sempre mata. Isto nos sugeriu as seguintes reflexões: Porque na Franca, antes que alhures? É que aqui, mais que alhures, o espírito, ao mesmo tempo fino, caustico e jovial, apreende logo de saída o lado alegre ou ridículo das coisas; busca-o por instinto, sente-o, adivinha-o, por assim dizer fareja-o; descobre-o onde os outros não o percebiam e o põe em relevo com habilidade. Mas o espírito francês quer, antes de tudo, o bom gosto, a urbanidade ate na troça; ri de boa vontade de uma pilheria fina, delicada, sobretudo espirituosa, ao passo que as troças sem sal, a critica pesada, grosseira, causticante, semelhante à pata de urso ou ao soco do rústico, lhe repugnam, porque tem uma repulsa instintiva pela trivialidade.
Talvez digam que certos sucessos modernos parecem desmentir essas qualidades.

Haveria muito a dizer sobre as causas desta desvio, que não deixa de ser muito real, mas que É apenas parcial, e não pode prevalecer sobre o fundo do caráter nacional, como  demonstraremos qualquer dia. Apenas diremos, de passagem, que esses sucessos que admiram as pessoas de bom gosto, em grande parte são devidos à curiosidade muito vivaz, também, no caráter francês. Mas escutai a multidão à saída de certas exibições; o julgamento que domina, mesmo na boca do povo, resume-se nestas palavras: É desagradável! contudo a gente veio unicamente para poder dizer que viu uma excentricidade. Lá não voltam, mas, esperando que a multidão de curiosos tenha desfilado, o sucesso esta feito, e é tudo o que pedem. Dá-se o mesmo em certos sucessos supostamente literários. 

A aptidão do espírito francês para captar o lado cômico das coisas faz do ridículo uma verdadeira potencia, maior na Franca do que em outros paises: mas É certo dizer que sempre mata? 

Ha que distinguir o que se pode chamar o ridículo intrínseco, isto É, inerente à coisa mesma e o ridículo extrínseco, vindo de fora e derramado sobre uma coisa. Sem duvida, este ultimo pode ser lançado sobre tudo, mas só fere o que É vulnerável; quando ataca as coisas que não dão margem, desliza sem alcançá-las. A mais grotesca caricatura de uma estatua irrepreensível nada tira de seu mérito e não a faz decair na opinião, pois cada um pode apreciá-la. 

O ridículo não tem forca senão quando fere com precisão, quando ressalta com espírito e finura os caprichos reais: É então que mata; mas quando cai no falso, absolutamente não mata, ou antes ele se mata. Para que o adágio acima seja completamente verdadeiro, seria preciso dizer: "Na Franca o ridículo sempre mata o que É ridículo". O que realmente É verdadeiro, bom e belo jamais É ridículo. Se se leva à troça uma personalidade notoriamente respeitável, como, por exemplo, o cura Viannet, inspira-se desgosto, mesmo aos incrédulos, tanto que É verdade que o que É respeitável em si É sempre respeitado pela opinião publica. 

Como nem todos tem o mesmo gosto, nem a mesma maneira de ver, o que É verdadeiro, bom e belo para uns, pode não o ser para outros. Então quem será o juiz? O ser coletivo que se chama todo o mundo, e contra cujas decisões em vão protestam as opiniões isoladas. Algumas individualidades podem ser momentaneamente desviadas pela critica ignorante, malévola ou inconsciente, mas não as massas, cujas opiniões sempre acabam triunfando. Se a maioria dos convivas num banquete acha um prato a seu gosto, por mais que digais que É ruim, não impedireis que o comam, ou pelo menos que o provem.
Isto nos explica porque o ridículo, derramado em profusão sobre o Espiritismo, não o matou. Se ele não sucumbiu, não É por não ter sido revirado em todos os sentidos, transfigurado, desnaturado, grotescamente ridicularizado por seus antagonistas. E contudo, apos dez anos de encarnecida agressão, ele esta mais forte do que nunca. É porque ele É como a estatua de que falamos ha pouco. 

Em definitivo, sobre o que se exerceu particularmente o sarcasmo, a propósito do Espiritismo? Em que realmente apresenta o flanco à critica: os abusos, as excentricidades, as exibições, as explorações, o charlatanismo sob todos os aspectos, as praticas absurdas que são apenas a sua parodia, de que o Espiritismo serio jamais tomou a defesa, mas que ao contrario, tem sempre desautorizado. Assim, o ridículo não feriu, e não pode morder senão o que era ridículo na maneira por que certas pessoas pouco esclarecidas concebem o Espiritismo. Se ainda não matou inteiramente esses abusos, deu-lhes um golpe mortal, e era de justiça. 

Então o Espiritismo verdadeiro não pode senão ganhar em se desembaraçar da chaga de seus parasitas, e foram os seus inimigos que disso se encarregaram. Quanto à Doutrina propriamente dita, É de notar que quase sempre ela ficou fora de debate. E, contudo, É a parte principal, a alma da causa. Seus adversários bem compreenderam que o ridículo não poderia atingi-lo; sentiram que a fina lamina da troça,a espirituosa deslizava sobre a couraça, por isso a atacaram com o tacape da injuria grosseira e o soco rústico, mas com tão pouco sucesso.
Desde o principio, o Espiritismo pareceu a certas pessoas, à cata de expedientes, uma fecunda mina a explorar por sua novidade; alguns, menos tocados pela pureza de sua moral do que pelas chances que ai entreviam, meteram-se sob a égide de seu nome, com a esperança de fazer dele um meio. São os que podem ser chamados espíritas de circunstancia. 

Que teria acontecido a esta doutrina se ela tivesse usado toda a sua influencia para frustrar e desacreditar as manobras da exploração? Ter-se-iam visto os charlatões pululando de todos os lados, fazendo uma aliança sacrílega daquilo que ha de mais sagrado: o respeito aos mortos com a suposta arte dos feiticeiros, adivinhos, tiradores de cartas, ledores da sorte, suprindo os Espíritos pela fraude, quando estes não vem. Logo ter-se-iam visto manifestações levadas para os palcos, truncadas pelos passes de escamoteação; gabinetes de consultas espíritas anunciados publicamente e revendidos, como agencias de emprego, conforme a importância da clientela, como se a faculdade mediúnica pudesse transmitir-se, à maneira de um fundo de comercio. 

Por seu silencio, que teria sido uma aprovação tácita, a doutrina ter-se-ia tornado solidária com esses abusos, diremos mais: cúmplice deles. Então a critica teria feito um belo jogo, porque com todo o direito, poderia ter tomado o partido da doutrina, que por sua tolerância, teria assumido a responsabilidade do ridículo e, por conseguinte, da justa reprovação lançada sobre os abusos; talvez tivesse ela levado mais de um século para erguer-se desse choque. Seria preciso não compreender o caráter do Espiritismo e, ainda menos, seus verdadeiros interesses, para crer que tais auxiliares possam ser úteis à sua propagação e sejam próprios para o fazer considerar como uma coisa santa e respeitável
Estigmatizando a exploração, como temos feito, temos a certeza de haver preservado a doutrina de um verdadeiro perigo, perigo maior que a má vontade de seus antagonistas confessos, porque ela lhes teria apresentado um lado vulnerável, ao passo que eles se detiveram ante a pureza de seus princípios. Não ignoramos que contra nos suscitamos a animosidade dos exploradores e que nos afastamos de seus partidários. Mas que importa? Nosso dever É tomar em mãos a causa da doutrina e não os interesses deles; e esse dever nos cumpriremos com perseverança e firmeza, atÉ o fim. 

Não era insignificante lutar contra a invasão do charlatanismo, num século como este, sobretudo um charlatanismo acompanhado, por vezes suscitado pelos mais implacáveis inimigos do Espiritismo. Porque, depois de haver fracassado pelos argumentos, bem compreendiam que o que lhes poderia ser mais fatal era o ridículo. Por isso o mais seguro meio seria fazê-lo explorar pelo charlatanismo, a fim de desacreditá-lo na opinião publica.
Todos os espíritas sinceros compreenderam o perigo assinalado e nos acompanharam em nossos esforços, reagindo por seu lado contra as tendências que ameaçavam desenvolver-se. Não são alguns casos de manifestações, supondo-os reais, dados como espetáculo, como aperitivo à minoria, que dão verdadeiros prosélitos ao Espiritismo porque, em tais condições, eles autorizam a suspeita. Os próprios incrédulos são os primeiros a dizer que, se os Espíritos realmente se comunicam, não será para servirem de comparsas ou parceiros a tanto por sessão; por isso riem deles; acham ridículo que nessas cenas se misturem nomes respeitáveis, e estão cem vezes com a razão. Para uma pessoa que seja levada ao Espiritismo por essa via, sempre supondo um fato real, haverá cem que serão desviadas, sem mais querer ouvir dele falar. A impressão será outra nos meios onde nada de equivoco pode fazer suspeitar da sinceridade, da boa-fé e de desinteresse, onde a notória honorabilidade das pessoas impõe respeito. Se dai não se sai convencido, pelo menos não se leva a idéia de uma charlatanice. 

Assim, o Espiritismo nada tem a ganhar, e só poderia perder, apoiando- se na exploração, ao passo que os exploradores É que se beneficiariam de seu credito. Seu futuro não esta na crença de um individuo por tal ou qual caso de manifestação: esta inteirinho no ascendente que conquistar pela moralidade. Foi por ai que triunfou e triunfara ainda das manobras dos adversários. Sua forca esta no seu caráter moral, e é o que lhe não poderão tirar. 

O Espiritismo entra numa fase solene, mas na qual ainda terá que sustentar grandes lutas. É necessário, pois, que seja forte por si mesmo e, para ser forte, É preciso que seja respeitável. Cabe aos seus adeptos dedicados fazê-lo respeitar, inicialmente. pregando pela palavra e pelo exemplo; depois, em nome da doutrina, desaprovando tudo quanto possa prejudicar a consideração de que deve ser rodeado. É assim que poderá desafiar as intrigas, a troça,a e o ridículo. 

Allan Kardec.