Aonde reside o valor do ser humano?

Nas suas posses?

No seu corpo?

Nos seus atributos físicos?

Na sua inteligência?

No seu poder de sedução e persuasão?

Muitos apelam para dar novos contornos aos seus corpos, no afã de se tornarem mais visíveis, atraentes e desejados pelo público.

A insatisfação do homem na busca pelo “corpo perfeito” tornou-se uma obsessão. Não estar dentro dos “padrões estabelecidos’’ pela ditadura da beleza, da mídia, da moda e dos cosméticos, tem levado muita gente a optar por “saídas’’ nada saudáveis e seguras.
Fenômenos como anorexia, bulimia, vigorexia, cirurgias plásticas excessivas e dietas esdrúxulas povoam o nosso cotidiano, e, de tão massificados, assistimos a essas manifestações complacentemente, como um fenômeno natural.

O que te motiva a “mexer” no seu corpo?

Busca de aprovação, modismo ou bem- estar?

O que você vê quando se olha no espelho?

Acompanho relatos de pessoas que já se submeteram a inúmeros procedimentos cirúrgicos, e até o momento encontram-se insatisfeitas.

Ainda não temos centros cirúrgicos para a alma, onde valores humanos como educação, empatia, solidariedade, auto-estima e outros, pudessem ser comercializados. Mas, esses são valores que a moeda material não compra, pois são frutos da conquista de cada indivíduo, frutos das suas experiências e do aprendizado que elas proporcionam, da sua maturidade emocional e espiritual.

Para quem tem o hábito de ficar de frente ao espelho:

Da próxima vez, ao invés de fixar-se no que falta ou passa no seu corpo, tente fazer o mesmo com os seus valores, o que está faltando ou passando no seu repertório de comportamentos e atitudes perante as suas relações! O que está faltando ou passando na sua personalidade, para você entrar em forma emocional e espiritual equilibrada?
Bisturi, silicone e anabolizante não fazem milagres.

Cuidado, para não transferir os seus conflitos para o corpo, responsabilizando-se e focando-se como o protagonista da sua vida.

Sem dúvida, o corpo é um cartão de visita, mas, toda visita quer entrar e conhecer a casa por dentro, e qualquer pessoa, que venha conviver com você, vai querer saber ”Quem é você’‘, ” O que pensa e sente”, seus valores, princípios, cultura, posturas e atitudes perante a vida. O contato físico é prazeroso, mas ainda não foi divulgada a história de um casal que tenha permanecido 24 horas e 365 dias exclusivamente na cama. Acredite, invista também em outras esferas. Você se acha uma pessoa simpática, agradável e
acessível?


Pessoa vitrine nem sempre estabelece uma relação enraizada em valores humanos profundos, geralmente, permanecem na superfície. Não transfira exclusivamente para o bisturi, anabolizante e silicone a  responsabilidade de lhe fazer um ser humano melhor. Não terceirize a sua mudança. Ninguém pode evoluir no seu lugar. Lembre-se: mudança é uma porta que se abre de dentro para fora. Não seja uma dessas pessoas que passa 24 horas do dia olhando para o espelho, seios, coxas, bumbum, barriga tanquinho, etc. e
tal. Cuide também do intangível. Como já dizia Saint-Exupéry: ”O essencial é invisível aos olhos”.

A nossa sociedade está cheia de gente malhada, e é uma pena que os mesmos ainda não malharam o cérebro nem o coração. Uma opção não inviabiliza a outra, um antigo ditado greco-latino já nos dizia: “mente sã em corpo são”, podemos cuidar do corpo e da alma: cuidar dos relacionamentos, saber ouvir o outro, ser solidário, ser proativo, ético, cultivar valores humanos e princípios relevantes, ler bons livros, ver bons filmes, receber bem as pessoas que são caras… Pessoas com esse perfil se tornam encantadoras e agradáveis aos olhos de todos. Mente e coração não precisam de silicone e nem de anabolizante.

O problema não está no silicone, na dieta, na intervenção cirúrgica e outros métodos utilizados, mas sim, quando estes aparecem como a única opção de lhe tornar um ser humano melhor desperdiçando toda uma gama de valores, sentimentos, conceitos, cultura inerentes ao ser humano.

Marcelo Machado de Albuquerque
Goiânia, 20 de janeiro de 2011.